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Análise Financeira

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O mercado de carbono entre 27 de fevereiro e 06 de março

06/03/2012   -   Autor: Fernanda B. Müller   -   Fonte: Instituto CarbonoBrasil


A votação no Comitê Industrial do Parlamento europeu passou, mas o caminho até que de fato permissões de emissão (EUAs, em inglês) sejam retiradas do mercado ainda é muito longo e tortuoso.

Em meio à alta volatilidade e especulação, logo após a votação na terça-feira (28), o preço das EUAs para dezembro de 2012 caiu 5%, com traders tirando proveito dos lucros decorrentes de uma alta de dez semanas durante a sessão de negociações nas bolsas.

Na sexta-feira (02) as EUAs voltaram a ganhar valor transacionando em torno de €9, subindo 4% em relação ao dia anterior devido a preços mais fortes no setor de energia. Na Bolsa Europeia do Clima, as Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) para dezembro de 2012 estavam sendo negociadas em €4,7 na sexta-feira.

O banco português Espirito Santo divulgou uma análise em que sugere que os preços podem dobrar ainda neste ano se houver a aprovação definitiva das retirada das EUAs do mercado. Um preço de ao menos €15 a €20 poderia ser alcançado até o final do ano, comentou o analista do banco Lawson Steele à Reuters.

"Muita água ainda vai correr debaixo dessa ponte... e o fato é que ainda existe uma oferta massiva de carbono no sistema, além da luta das economias globais. Alguns dados dos Estados Unidos mostram que a recuperação está a caminho, mas o desemprego é absurdamente alto tanto nos EUA como na Europa", lamentou o trader neozelandês Nigel Brunel, da OM Financial.

"O petróleo continua a subir e a correlação com o carbono é historicamente muito alta, apesar de a razão do aumento do petróleo não ser o crescimento econômico positivo, mas sim tensões geopolíticas. Mantemos nosso ponto de vista: compre carbono nas baixas, mas esteja alerta aos mercados políticos", completou Brunel.

O banco Barclays Capital criticou o acordo fechado no comitê industrial para chegar à aprovação, dizendo que a proposta anterior foi enfraquecida não apenas pela exclusão do texto da quantidade de permissões a serem retiradas do mercado, mas também pela redação ter substituído 'quantidade significativa' por 'quantidade necessária'.

Para os preços atuais do carbono, o banco enxerga que a aprovação passa a dar mais suporte e diminuir a pressão (com a potencial retomada de forças pelo mercado), erodindo a mentalidade de curto prazo que tomava conta. A estimativa é que as EUAs custem em torno de €12/t em 2013 (no cenário de retirada de 700 milhões de EUAs no total) ou que continuem no patamar atual se nada mudar.

Com a leve subida nos valores e os primeiros acordos de venda de permissões de emissão do setor de aviação, o volume de carbono negociado nas bolsas europeias cresceu 12% em fevereiro, demonstram dados da Point Carbon.



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