Mercado de Carbono /Análise Financeira
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Após a Polônia bloquear a proposta do Conselho Europeu sobre metas interinas para a redução de emissões em 2030, 2040 e 2050, as disputas sobre a política climática no bloco voltaram à tona, colocando em dúvida também a sua capacidade de aprovar a medida para retirar permissões de emissão (EUAs) do mercado super alocado.
Questionamentos ainda maiores surgiram quando o Conselho resolveu que a emenda que se refere à retirada das permissões fosse retirada do texto da Diretiva de Eficiência Energética sob a alegação de que a primeira estava prejudicando a aprovação do pacote como um todo. Porém, de acordo com análises da Barclays Capital, isto não significa um fim à proposta, que pode vir a ser incluída como emenda na regulação dos leilões do esquema europeu de comércio de emissões (EU ETS).
"Dada toda esta incerteza em relação à retirada de permissões, tomar um posicionamento categórico neste mercado continua difícil e as negociações devem se focar nas oportunidades, muito atrativas, de ‘contango’ apresentadas ao longo da curva (temporal de preços)", comentaram os analistas da BarCap.
"Ao longo dos últimos meses, com a passagem para o primeiro ano de hedging das usinas de energia, a expansão na demanda por cobertura para 2013 tem aumentado, elevando os volumes transacionados e o 'open interest'", completaram.
As EUAs para dezembro de 2012 caíram 10,6% na semana passada para €8,09/t. As Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) dez12 seguiram a mesma tendência caindo 15% para € 4,01/t.
Na segunda-feira (12), as EUAs caíram mais 3,3%, ao passo que observadores do mercado constatam que o veto da Polônia pode dificultar o acordo sobre intervenções em curto prazo no mercado europeu, segundo a Point Carbon.
Outra notícia que deve abalar a confiança no mercado foi a entrega na segunda-feira (12) de um documento aos governos europeus, assinado pelas companhias aéreas Airbus, British Airways, Virgin Atlantic, Lufthansa, Air France, Air Berlin e Iberia, no qual afirmam que a decisão de incluir o setor no EU ETS pode custar milhares de empregos.
Análises
O banco KfW publicou uma análise na qual estima que o valor das RCEs deveria subir acima €10 para que o mercado apresentasse alguma recuperação e os investimentos no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) fossem retomados.
Já um oficial do banco holandês ING comentou à Point Carbon que os investimentos no MDL morrerão a menos que as RCEs alcancem os € 20, um aumento de cinco vezes em relação ao preço atual.
Contrapondo-se às empresas que alegam que o impacto econômico do preço do carbono é grande, uma nova pesquisa do HSBC mostra que na realidade este é o menor dos seus problemas financeiros.
O economista do banco, Nick Robins, estimou que o aumento contínuo no preço do petróleo está impondo um impacto econômico equivalente a um preço do carbono de € 153/t. O preço atual de cerca de € 8,6/t das EUAs, segundo ele, equivale a um aumento de apenas € 3,3 por barril.
A agência UNEP Risoe divulgou na sexta-feira (09) sua previsão para o número de RCEs emitidas até o final de 2012, aumentando em um milhão de unidades para 1,158 bilhões no total. Nos últimos quatro meses, todas as revisões da agência indicaram aumento na emissão de RCEs, tendência que deve continuar com uma média de 30 milhões de RCEs por mês ao longo do ano.
Mercado voluntário
Um novo relatório do Ecosystem Marketplace traz 13 casos em que países estão se voltando para ferramentas voluntárias do setor privado em busca de uma solução para combater as mudanças climáticas, mostrando por que essa abordagem pode dar certo.
Investimentos na área de projetos florestais no âmbito do mercado voluntário de carbono continuam a pipocar ao redor do mundo, como na Coreia do Sul e China, esta última tendo assinado um acordo com o Banco Europeu de Investimentos para financiamentos de US$ 250 milhões em projetos de mitigação do carbono com elementos ligados à biodiversidade. Leia mais na Newsletter 'Forest Carbon' do Ecosystem Marketplace (em inglês).
Críticas a estes projetos também florescem tanto quanto as novas iniciativas. A Noruega anunciou na terça-feira (29) que suspendeu o financiamento de dois projetos de REDD na Tanzânia, que em dezembro de 2011 haviam sido acusados de desfalque pelo WWF. A própria ONG é responsável pela administração dos fundos dos projetos, que já haviam recebido juntos US$ 4 milhões.
A agência de jornalismo investigativo Pública, denunciou uma empresa irlandesa pela compra de direitos sobre créditos de carbono dos índios Munduruku, no Pará, por US$ 120 milhões. O contrato investigado pelo Ministério Público valeria por 30 anos.