Entre especulações, flutuações no valor do gás natural e sinais de negociação no legislativo europeu sobre a diretiva de Eficiência Energética, as permissões de emissão (EUAs, em inglês) passaram a última semana subindo e descendo do patamar de €7.
Na sexta-feira (13), as EUAs subiram pelo quinto dia seguido, alcançando €7,25/t e marcando uma elevação de 21% no valor desde a quarta-feira (04), quando foi registrada a baixa histórica de €5,99. As Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) para dezembro de 2012 ganharam 18%, finalizando a sexta-feira (13) em €4,04/t.
Já na segunda-feira (16), as EUAs para dezembro de 2012 caíram 5%, “ao passo que a compra evaporou face a grandes quedas nos preços da energia e aumento das preocupações sobre a economia na zona do euro”, justificou a Point Carbon.
Informações atrasadas sobre as emissões de países como França e Grécia mostraram que as emissões sob o EU ETS caíram 2,5% em 2011, escorregando ainda um pouco mais do que o estimado há duas semanas.
O Deutsche Bank publicou estimativas que aumentam em 19% a expectativa de excesso de EUAs até 2020. A justificativa é de que o banco espera que a legislação europeia sobre eficiência energética deva reduzir significativamente as emissões de dióxido de carbono, reconfirmando que a queda nas emissões do bloco tem muito mais a ver com políticas energéticas do que com o EU ETS.
A remoção temporária de EUAs do mercado não deve ser suficiente para retomar os incentivos para o corte de emissões e mudanças estruturais são necessárias, enfatizou o banco segundo a
Bloomberg.
Bruxelas iniciou em 11 de abril as discussões entre parlamento, conselho e comissão sobre a diretiva de eficiência energética. Segundo o Barclays Capital, com o texto acordado no parlamento sendo diluído por um conselho mais conservador e governos evitando qualquer coisa que os leve a gastos, como metas compulsórias centrais ao texto, a questão da retirada de EUAs do mercado não foi discutida.
"Se a comissão não conseguir acordo com o conselho nisto, então realmente parece que não há esperanças para qualquer tipo de intervenção sobre os preços", concluiu o Barclays Capital.
Na segunda-feira (16), Günther Oettinger, comissário de Energia da União Europeia (UE), disse que é provável que a Comissão Europeia prepare
uma proposta legislativa para a reforma do EU ETS antes do final do ano.
Ao redor do mundoNa quarta-feira (11), o
governo neozelandês anunciou as mudanças que pretende implantar no seu esquema de comércio de emissões, como o limite no uso de créditos de carbono baratos provenientes do exterior. As propostas visam fortalecer o preço do carbono no país, o que segundo participantes do mercado deve surtir efeito.
Apenas o anúncio das sugestões, sujeitas a consulta pública, já resultou em aumento de 9,7% no valor das RCEs à vista na Nova Zelândia, fechando a quinta-feira (12) em NZ$ 6,8.
O Cazaquistão anunciou que pretende lançar no próximo ano o seu mercado de carbono. O país, maior emissor de gases do efeito estufa da Ásia Central, tem como meta a redução de 15% nas emissões até 2020 e 25% até 2050 (em comparação às emissões de 1992).
Retomando a estratégia adotada há alguns anos, o Japão abriu uma nova rodada de solicitações para projetos bilaterais de compensação de carbono. Em complemento ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), o país está investindo diretamente em projetos de energias limpas em países em desenvolvimento em troca de créditos de carbono para cumprir suas metas domésticas de redução de emissões.
O prazo para submissões de projetos é 8 de maio, porém os
documentos relevantes para a chamada estão apenas em japonês.
Independente da forma como são desenvolvidos, os mercados de carbono continuam sendo uma ferramenta que atrai a preferência de muitos países e instituições.
O
Marrocos é o mais novo país a receber verba inicial sob o esquema do Banco Mundial para ajudar a lançar mercados de carbono piloto, a chamada Parceria de Preparação de Mercados (PMR), enquanto cinco outros países devem provavelmente conseguir recursos até o final de maio, disse um representante do banco na quarta-feira (11).
Os preparativos na Austrália também estão chamando a atenção com apenas três meses para a entrada em vigor do seu esquema de carbono. Muitas empresas estão lançando na imprensa anúncios de relocação de atividades para o país, como a suíça South Pole Carbon, que recentemente comprou a empresa Climate Friendly.
O governo australiano pretende
incentivar o desenvolvimento de projetos domésticos para a compensação de emissões no setor agrícola. Na semana passada, o governo lançou uma minuta (aberta para consulta pública) com diretrizes para o desenvolvimento de metodologias neste sentido, sendo planejado o desembolso de A$ 19,6 milhões para as empresas interessadas no setor.
CalifórniaAs permissões de carbono do estado, chamadas California Carbon Allowances (CCAs), para entrega em 2013, quando o esquema de comércio de emissões entra em vigor, estão sendo negociadas em torno de US$ 13,65/t.
A expectativa de países desenvolvidos de que, com a redução da demanda por créditos de compensação (‘offsets’) no mercado europeu, a Califórnia seria o grande centro para seus projetos de redução de emissões foi frustrada na semana passada.
Mary Nichols, chefe do California Air Resources Board, que regula o mercado de carbono no Estado, declarou na semana passada que o esquema não recorrerá a compensações internacionais, as Reduções Certificadas de Emissão (RCEs), para suprir o possível déficit de créditos domésticos.
Até 8% da cota de emissões sob o esquema californiano pode ser preenchida com compensações de emissão, fato que tem sido muito criticado pelas empresas, que temem maiores custos.
Durante a Conferência 'Navigating the American Carbon World', Nichols garantiu que, de fato, o esquema iniciará em 2013 mesmo após alguns adiamentos e contratempos jurídicos enfrentados em 2012. Ela completou que a conexão com o sistema de cap and trade de Quebec está avançando bem e que espera que uma nova legislação climática seja introduzida no Congresso após as eleições presidenciais.