Mesmo com o resultado razoável da conferência do clima, que terminou na África do Sul no domingo, os preços do carbono não conseguiram segurar a leve alta na segunda-feira e continuaram a sua curva descendente.
As permissões de emissão da União Européia (EUAs, em inglês) caíram 3% para €7,54/t na segunda-feira em relação à sessão anterior, com traders reagindo a preços menores no complexo energético e à instabilidade no mercado financeiro.
“Um aumento sustentado nos preços provavelmente não acontecerá até o final do próximo ano”,comentou o analista da Barclays Capital, Trevor Sikorski, se referindo ao período quando os produtores de energia devem começar a cobrir as vendas para 2013.
O acordo fechado entre os países em Durban também não contribuiu muito para dar mais segurança ao mercado europeu de carbono e parece que para tal serão necessárias metas e ações muito mais concretas e efetivas.
“Não há surpresa sobre os países que aceitaram metas sob o segundo período de Quioto, ou o que são estas metas. Então não esperamos grade movimentação no mercado de carbono em seguida a Durban”, ponderou Jonathan Grant da PricewaterhouseCoopers.
Parece que durante a última semana, o resultado de Durban foi menos significativo para o carbono a curto prazo do que a preocupação do mercado com o início da venda antecipada de 300 milhões de toneladas em EUAs da terceira fase do esquema europeu.
Há uma semana, o carbono na Europa chegou a seus níveis mais baixos devido ao excesso de créditos disponíveis no mercado e ao pessimismo financeiro, por causa da crise econômica e política.
“A União Europeia usará Durban para revitalizar a discussão”, comentou o analista Emmanuel Fages, do Societé Générale, ao
Wall Street Journal, se referindo ao novo ímpeto que a convenção pode despertar para melhorar os esforços de contenção da oferta de créditos de carbono.
MDL“O MDL pode continuar, mas a demanda por créditos destes projetos é medíocre”,comentou Grant, duvidoso do aumento na procura por RCEs devido à falta de novos compromissos.
“Graças a Durban, o MDL viverá para ver mais um dia. Muitos desenvolvedores e traders reduziram suas atividades ao longo do último ano... mas os mercados de carbono continuarão estagnados devido à oferta em demasia no mercado de EUAs como resultado da recessão”.
Uma das grandes falhas de Durban no que se refere ao mercado de carbono é a ausência de decisões que suscitem esperanças de novas fontes de demanda para os créditos. Com a recusa do Japão, Canadá e Rússia de assumir o segundo período de compromisso de Quioto, apenas 15% das emissões mundiais de gases do efeito estufa estarão cobertas.
Ao invés da demanda, os valores do carbono devem acabar sendo determinados meramente pela perspectiva de crescimento nos países europeus.
Os investimentos no MDL no ano passado caíram para um quinto do seu recorde de US$7,4 bilhões em 2007 devido às incertezas quanto ao seu futuro. Durban deu algumas direções neste sentido, porém ainda restam muitas dúvidas.
De acordo com a BarCap, as regras da UE para as RCEs podem voltar a incluir projetos de qualquer país hospedeiro que ratifique o segundo período de Quioto. Entretanto, outros observadores do mercado duvidam que haverá mudanças.
Até o momento, a tendência é que apenas RCEs de projetos em países menos desenvolvidos sejam elegíveis sob o esquema europeu.
"Apesar de isso significar um mix de fatores para o mercado, o período até 2017/2020 é mais positivo para a oferta do que para uma demanda adicional. Portanto, enquanto isto é bom para o MDL, é de certa forma negativo para os preços das RCEs", comentaram os analistas da BarCap.
As RCEs para dezembro de 2011 estavam sendo negociadas na
Intercontinental Exchange € 4,90 na segunda-feira (12), sendo que estes contratos expiram no próximo dia 19.