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Análise Financeira

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O mercado de carbono entre 07 e 14 de fevereiro

14/02/2012   -   Autor: Fernanda B. Müller   -   Fonte: Instituto CarbonoBrasil


Após cair durante quatro sessões seguidas junto com os valores da energia e gás na UE, ao passo que as temperaturas amenizam, as permissões de emissão (EUAs, em inglês) fecharam a segunda-feira em €7,66/tonelada.

Na semana passada, o fechamento das EUAs rompeu a recuperação das últimas semanas, perdendo 7% em relação à sexta-feira (10) anterior, com os contratos para dezembro de 2012 em €7,95/t. As Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) perderam 6,1%, custando €3,83/t na sexta-feira (10).

Contribuindo para a oferta, o Reino Unido leiloou 3,5 milhões de EUAs e o Banco Europeu de Investimentos anunciou que vendeu 21 milhões ao longo de janeiro.

Em contraposição, os grandes volumes de hedging por parte das usinas de energia, muito esperados nesta época ano passado, porém sem se materializar, começaram a aparecer.

A Barclays Capital relatou um aumento de 53% nos volumes futuros negociados (490 milhões de toneladas) em janeiro em comparação com o mesmo período de 2011.

“O resultado destas transações é que as posições abertas relacionadas a EUAs em janeiro de 2012 aumentaram em 43 milhões de toneladas (Mt) em comparação com a subida de 11 Mt no mesmo mês do ano passado”, disseram analistas do banco.

Em relação às RCEs, a BarCap notou um aumento de apenas 2% nos volumes negociados em comparação com o ano passado e de 4 Mt a mais nas posições abertas.

“O nível baixo de transações em comparação com a emissão também nos indica que uma fatia das RCEs emitidas está trilhando seu caminho para as usinas diretamente, ao invés de ser monetizada através do mercado secundário”, comentaram os especialistas, se referindo ao mercado primário.

Na expectativa que a União Europeia encontre uma saída para o excesso de créditos de carbono disponível no mercado, o Deutsche Bank aumentou sua estimativa de preço para as EUAs neste semestre em uma média de 25% para entre €20-25 se a intervenção se materializar.

Em 28 de fevereiro, um comitê industrial do parlamento europeu votará através de uma emenda na diretiva de eficiência energética, se aprova ou não a retirada de permissões do mercado após 2012. Em dezembro, o comitê ambiental do parlamento aprovou a medida.

Provavelmente, a emenda que deve sair do comitê industrial não conterá números específicos de permissões a serem retiradas, apenas uma recomendação à votação geral, comentou o parlamentar Peter Liese à Bloomberg.

Ele alertou que um valor muito alto do carbono também pode causar problemas e, portanto, o comitê terá cautela na inclusão de emendas que sigam o exemplo de uma aprovada no comitê ambiental, que pede a retirada de permissões suficientes para aumentar o preço das EUAs para no máximo €30.

A Dinamarca, que detém a atual presidência da UE, não defende a inclusão da emenda de retirada das permissões sob a diretiva de eficiência energética e sim sob a diretiva do EU ETS, algo apoiado também pelo comitê ambiental. A votação da diretiva de eficiência energética no comitê de energia também deve ocorrer dia 28 de fevereiro.

O caminho que a medida seguirá após estas votações não é claro, e certamente muitas idas e vindas ainda adiarão a decisão por algum tempo, já que o processo legislativo é longo e o político, extremamente complicado.




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