Com o cenário atual meramente indicando vontades políticas de agir para dar um fim ao excesso de créditos de emissão no mercado europeu sem decisões concretas, as permissões (EUAs, em inglês) para dezembro deste ano continuam na faixa de €7/tonelada de CO2e.
Na semana passada foi feito o anúncio de que até junho a União Europeia colocará em operação a sua plataforma única para o registro de emissões (o que até agora tem sido feito em nível nacional).
Para os analistas do Barclays Capital, isto é um indicativo um tanto negativo, já que significa a conclusão do primeiro passo para a efetivação do leilão de mais 120 milhões de toneladas em permissões de emissão para a terceira fase do EU ETS (2013-2020), consequentemente aumentando a sua oferta.
Entretanto, como já mencionado, há indicativos de mudanças tanto no que se refere aos leilões do EU ETS quanto à retenção de permissões em outros níveis políticos.
O valor das Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) também não mudou muito nos últimos dias, com os contratos para dezembro de 2012 sendo negociados na faixa de €3,8/t.
O Barclays Capital espera que as RCEs permaneçam em torno de €4/t e que as EUAs voltem a beirar os €8/t.
Segundo dados da Point Carbon, o volume de negociação no EU ETS caiu 18% em abril, o menor nível em quase um ano, mas a alta rotatividade do primeiro trimestre significa que a atividade em 2012 ainda está 25% acima do ano passado.
Apesar das sugestões de reforma, as dúvidas em relação à abordagem do esquema europeu para o corte de emissões são muitas. Alguns estimam que este sistema tenha conseguido o corte de apenas 30 milhões de toneladas de carbono ao longo dos seus sete anos em operação, menos de 0,3% das emissões cobertas.
A pergunta que não quer calar é se o ‘cap-and-trade’ é ou não a solução mais adequada para lidar com o crescimento das emissões de dióxido de carbono. Se o preço do carbono for pequeno, o incentivo para atividades de abatimento das emissões também cai e se o valor for alto, as emissões podem ser ‘exportadas’ para países sem um esquema equivalente. Apesar disso, iniciativas novas estão surgindo a cada semana.
A recente visita do Ministro de Mudanças Climáticas da Austrália, Greg Combet, à China demonstrou o potencial e o interesse para a criação de esquema de comércio de emissões regional, em que participariam os maiores emissores da Ásia-Pacífico.
Embora ainda faltem muitos detalhes, estudos indicam que o mercado chinês tem um longo caminho até sua implementação; várias províncias estão avançando em esquemas piloto de formatos diversos. Após 2015, o país deve fazer uma avaliação de qual funciona melhor para ser ampliado em nível nacional.
A Coreia do Sul acaba de aprovar o seu sistema de 'cap-and-trade', previsto para entrar em vigor em 2015, assim como na Austrália. A Nova Zelândia já está bem adiantada, tendo o único esquema nacional em vigor fora da Europa.
Com uma abordagem completamente diferente, o governo da Noruega propôs na semana passada dobrar a taxa cobrada sobre a tonelada de dióxido de carbono emitida pelo setor de gás e petróleo. O objetivo é incentivar o uso de eletricidade vinda do continente (principalmente hídrica), e não os combustíveis fósseis, para abastecer a demanda das plataformas.
Enquanto esta nova onda de iniciativas traz esperanças aos envolvidos no mercado de carbono, as notícias de empresas dispensando funcionários são muitas.
A empresa de investimentos em gases do efeito estufa CDC Climat fechou a sua subdsidiária (corretora no setor de carbono) Sagacarbon, demitindo quase 20 pessoas.
Outra empresa, a First Climate, está diminuindo o foco em negócios puramente voltados aos créditos de carbono e colocará mais ênfase em projetos de renováveis e mudanças climáticas, disse o diretor associado da firma na Índia, Saurabh Jain, em entrevista ao jornal
Business Standard.