Nas últimas semanas, as incertezas voltaram a assombrar mais fortemente a zona do Euro com os resultados das eleições na França e dúvidas quanto à permanência da Grécia no bloco. Neste cenário, o preço nos contratos de energia em curto prazo tem declinado, assim como o valor do carbono, que caiu 15% nas últimas duas semanas.
Com os preços nos contratos para médio prazo não caindo tanto (contango), estando cerca de 6% mais altos que nos contratos à vista, o banco Barclays Capital comentou em sua análise semanal que existem oportunidades de arbitragem no mercado de permissões de emissão - EUAs (comprando agora e vendendo mais para frente).
Para as Reduções Certificadas de Emissão, a diferença entre os contratos para 2012 e 2013 chega a 8,8%, "refletindo as futuras restrições sobre os tipos de RCEs que serão elegíveis, tornando a arbitragem mais difícil do que no caso das EUAs", disseram os especialistas do banco.
As EUAs para dezembro de 2012 estão sendo negociadas entre €6,5 e €7 e as RCES para o mesmo período em €3,40/tonelada de CO2e. Analistas entrevistados pela Point Carbon temem que com a piora da crise fiscal na União Europeia, o carbono caia ainda mais nas próximas semanas.
A Comissão Europeia disse na quinta-feira (17) que o seu esquema de comércio de emissões tem 900 milhões de permissões de emissão em excesso.
Na Califórnia, foi anunciado sexta-feira (18) que o registro do Climate Action Reserve (CAR) começará a aceitar projetos que gerarão os créditos de carbono para o esquema de ‘cap-and-trade’ do estado. As permissões de emissão da Califórnia (CCAs, em inglês) estão sendo negociadas em US$ 15,35 nos contratos vintage para 2013.
Em análises divulgadas na semana passada, a Thomson Reuters Point Carbon estimou que o mercado norte-americano de compensações de carbono teve um aumento de 70% no seu valor em 2011 devido à elevação nos preços e volumes (21 milhões de unidades). Grande parte do crescimento é motivada pela entrada em vigor do esquema da Califórnia em 2013, com as CCAs sendo negociadas desde 2011.
No Brasil, a BM&FBOVESPA e o Santander Brasil anunciaram uma parceria para estimular o mercado de créditos de carbono. O objetivo é estudar a criação de novos produtos referenciados em créditos de carbono para negociação em bolsa, como contratos derivativos e produtos à vista. Atualmente, a BM&FBOVESPA realiza leilões quando há uma determinada oferta de RCEs.