Uma combinação de vendas acentuadas e equalização dos posicionamentos após os anúncios da Comissão Europeia na semana passada fizeram com que as Reduções Certificadas de Emissão e Unidades de Emissão Reduzida (ERUs, em inglês) despencassem para novas baixas históricas, explicou Nigel Brunel, trader da OMFinancial.
Com a continuidade da recessão na União Europeia, a expectativa é que as emissões de gases do efeito estufa caiam ainda mais e a bolha de permissões disponíveis no mercado de carbono cresça. Brunel ressalta que mesmo a proposta mais ambiciosa da comissão de reter 1,2 bilhões de permissões de emissão (EUAs, em inglês) pode significar “muito pouco, tarde demais”.
Nesta segunda-feira (30), as RCEs para dezembro 2012 chegaram a € 2,61 e para o mesmo mês em 2013 a € 3,02 na bolsa ICE Futures Europe.
Segundo dados da Bloomberg, o número de contratos em aberto na ICE Futures atingiu seu máximo em pelo menos dois anos e meio na sexta-feira (27), podendo crescer ainda mais ao passo que os preços das RCEs caem, se os traders resolverem vender os créditos na expectativa de comprá-las por um preço menor mais para frente.
As EUAs para dezembro de 2013 caíram para € 6,66/t nesta segunda-feira, reduzindo o spread entre os dois contratos benchmark para € 3,99. O contrato de EUAs caiu para baixo do nível de suporte (€ 6,85) no início da segunda.
Expectativas
Considerando que em sua ultima estimativa de preços para o mercado europeu os planos da comissão ainda não tinham sido divulgados, o banco o Barclays Capital modificou levemente os números previstos, aumentando os valores nos primeiros três anos da terceira fase do EU ETS e continuando no mesmo patamar para a segunda metade da fase.
O valor médio para a terceira fase ficaria em € 13,5 sob o cenário de 1,2 bilhões de permissões retidas, € 10,3/t no cenário de 900 milhões e € 6,5/ de 400 milhões.
As conclusões são: tal intervenção de fato aumenta os valores ao alterar o equilíbrio entre demanda e oferta no mercado em todos os períodos; quanto maior o número de permissões cujo leilão seja adiado, maior a volatilidade de preços; sem alguma forma de cancelamento das EUAs, os preços acabarão tendendo para o mesmo nível, de cerca de € 10/t em 2020.
Os analistas da Thomson Reuters Point Carbon acreditam que seja possível alcançar um acordo para o adiamento do leilão de 800 milhões de EUAs e o cancelamento permanente de 600 milhões. Ainda assim, a terceira fase do EU ETS teria um excesso de permissões disponíveis somando 1,2 gigatoneladas de CO2e.
Neste cenário, a consultoria prevê preços de € 11/t para a terceira fase, crescendo para € 12 em 2014 , caindo entre € 10 e € 12 no período 2015-2018 e subindo novamente para € 15 em 2020 como resultado da maior rigidez na quarta fase do esquema.
Mundo
Em um cenário completamente diverso das instabilidades na União Europeia, o esquema californiano de comércio de emissões vive uma época onde as certezas sobre a sua entrada em vigor trazem bons presságios aos envolvidos no mercado.
As permissões de emissão da Califórnia, chamadas California Carbon Allowances (CCAs), para entrega em 2013 superaram na terça-feira (24) os US$ 20 pela primeira vez desde setembro, segurando o valor até o final da semana.
Na Nova Zelândia, acompanhando o mercado europeu, as unidades locais também enfrentam dificuldades. Como a entrada de RCEs é livre no mercado neozelandês, as NZUs seguem de perto a sua evolução. O valor das permissões caiu 10% em dez dias, sendo negociadas em NZ$4.85 na segunda-feira, o menor preço já registrado.