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Durante o painel 'Rumo a um futuro de Baixo Carbono: uma parceria entre o Banco Mundial e a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro', no Forte de Copacabana, o prefeito Eduardo Paes comemorou o lançamento do programa que auxiliará o município no monitoramento e contabilização dos investimentos de baixo carbono e das ações de mitigação de gases do efeito estufa.
A iniciativa, essencial no momento em que a cidade se dispõe a hospedar eventos do calibre da Rio +20 e da Copa de 2014, que trarão investimentos grandes para a cidade, é certificada ISO 14.001 e 14.064, em conformidade com os requisitos do novo Protocolo de Avaliação do Programa de Desenvolvimento de Baixo Carbono da Cidade.
“A certificação ISO para um programa municipal de mudanças climáticas com tamanha abrangência é inédita, fazendo com que o Programa seja um modelo de negócios para a mitigação nas cidades”, elogiou Hassan Tuluy, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe. O Programa foi desenvolvido em parceria com o Banco Mundial e com a COPPE/UFRJ.
“Fomos a primeira cidade brasileira a fixar metas concretas e ousadas de redução das emissões de GEEs. No final do ano, o Rio já terá reduzido em 8% as suas emissões. Até 2020 serão 20% (em relação ao ano de 2005)”, enfatiza Paes.
Dentre as iniciativas da cidade, inicialmente as mais significativas estão no setor de transportes e resíduos sólidos, setores responsáveis por 45% e 14%, respectivamente.
Paes ressalta que uma das grandes conquistas em direção ao alcance das metas foi o fechamento do lixão de Gramacho. As cerca de 7 mil toneladas de lixo geradas por dia na cidade do Rio de Janeiro serão armazenadas, a partir de agora, na Central de Tratamento de Resíduos de Seropédica. A nova central garantirá o destino adequado dos resíduos, sem riscos para o meio ambiente.
No segmento de transportes, a cidade pretende duplicar a rede de ciclovias, já sendo a segunda maior detentora de ciclovias da América Latina (atrás da Bolivia), e implantar o primeiro dos quatro corredores exclusivos para o sistema de transportes BRT.
Outra área importante para a cidade é a preservação o e reflorestamento das áreas verdes, com 44% do seu território coberto por florestas. O carbono armazenado nestas florestas, assim como a remoção de outros poluentes e funções como a redução do risco de deslizamentos, serão quantificados através de uma ferramenta nova chamada iTree.
O município identificou inicialmente 30 projetos que poderão gerar créditos de carbono para a venda no mercado recém criado, a Bolsa Verde do Rio.
Para controlar e validar as diversas iniciativas conduzidas na cidade, o Programa inclui uma estrutura de coleta e análise dados, que possibilitará a consolidação de um sistema de monitoramento e avaliação permanente, metodologia desenvolvida pela COPPE/UFRJ.
“O Rio é a primeira megacidade do hemisfério sul a ter um sistema de monitoramento de GEEs”, comemorou Emilio La Rovere (verificar) da COPPE.
Segundo ele, o sistema de monitoramento deve ser atualizado constantemente, a cada sete ou oito meses, contando com dados de órgãos como a companhia de águas, de gestão de resíduos, consumo de eletricidade, etc.
Um desafio enfrentado pela equipe da COPPE foi adequar as metodologias do IPCC, desenvolvidas para inventários de emissões nacionais para o nível municipal. Por exemplo, ele cita a dificuldade de definir a fronteira de quais emissões serão contabilizadas no inventário da cidade já que muitas atividades dela acontecem fora dos seus limites (como a gestão dos resíduos sólidos).
Ele espera que com as ações em implementação, o Rio de Janeiro consiga ultrapassar a sua meta de corte de GEEs, chegando a corte de 9,7% em 2012 e cerca de 17% em 2016.
Cidades no comando
Com a saída cada vez maior da população rural em direção às cidades, elas se tornam um local crucial para se trilhar um caminho direcionado a um desenvolvimento mais sustentável.
“O potencial de mitigação das mudanças climáticas nas cidades é enorme”, notou Tuluy completando que não é preciso mais esperar por acordos globais para agir. A expectativa dele é que a iniciativa do Rio seja espalhada ao redor do mundo.
“Não adianta ficar apontando o dedo para o presidente e culpá-lo pelo que não foi feito. Precisamos ser referência de sustentabilidade”, declarou o prefeito.