São Paulo está em negociação para comprar créditos florestais de carbono do Acre que permitirão que o estado alcance sua meta de redução de emissões, afirmou uma autoridade na terça-feira (17).
São Paulo, uma potência industrial com 40 milhões de residentes, está buscando alcançar o objetivo de emitir apenas 98 milhões de toneladas de CO2 em 2020, uma redução significativa em comparação aos 122 milhões de toneladas em 2005.
Eufran Ferreira do Amaral, presidente do Instituto de Mudanças Climáticas do Acre, afirmou à Point Carbon que o estado assinou um memorando de entendimento na semana passada.
“Um grupo técnico trabalhará para integrar a legislação climática de São Paulo com o sistema de serviços ambientais do Acre”, disse Amaral.
O Acre possui 74 milhões de hectares de florestas sob proteção e é um dos estados mais avançados do Brasil no que diz respeito a políticas climáticas e ações para gerar créditos de carbono através da preservação.
O estado já está em negociação com a Califórnia para participar do seu sistema de cap-and-trade.
Porém, Ludovino Lopes, um advogado ambiental que é conselheiro do governo do Acre, afirmou que São Paulo pode mostrar uma maior demanda por créditos do que a Califórnia.
“Se projetos de diferentes áreas, como eficiência energética, não forem o suficiente para reduzir as emissões, São Paulo terá que buscar créditos em outros locais”, afirmou Lopes.
De acordo com o advogado, o Acre terá que competir com outras fontes internacionais para suprir apenas 2% do mercado californiano que é destinado para créditos florestais.
Isso representaria um volume entre 200 e 260 milhões de toneladas de CO2 até 2020.
“Em apenas um ou dois anos, São Paulo pode demandar uma quantia maior que esta”, declarou Lopes.
São Paulo tem procurado iniciativas para reduzir suas emissões, principalmente biocombustíveis e projetos de energia limpa.
Porém, o estado não possui um plano de metas para setores industriais, temendo que empresas levassem suas instalações para outros estados.
Sistema Amazônico
Amaral acredita que o Acre pode oferecer o primeiro lote de créditos gerados pela proibição do desmatamento em 2013.
“Vamos começar com volumes pequenos para mostrar que o sistema pode funcionar. Nosso principal objetivo é demostrar que um sistema sub-nacional pode funcionar em um nível internacional”, afirmou.
O objetivo de longo prazo é integrar todos os nove estados amazônicos sob um único modelo.
“O trabalho já vem sendo feito no Acre e em estados vizinhos, mas cada um está seguindo em sua própria velocidade”, disse Amaral.
Traduzido por Fabiano Ávila
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