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Mudança radical na salinidade do mar causa alteração na precipitação

27/04/2012   -   Autor: David Fogarty   -   Fonte: Reuters


Cientistas detectaram uma mudança clara na salinidade dos oceanos, e descobriram que o ciclo que leva à precipitação e à evaporação se intensificou mais do que o esperado por causa do aquecimento global.

A descoberta, publicada na sexta-feira (27), ajuda a refinar as estimativas de quão diferentemente as partes do globo serão impactadas pelo aumento das chuvas ou das secas mais intensas à medida que o planeta esquenta, afetando colheitas, abastecimentos de água e defesas contra enchentes.

Cientistas liderados por Paul Durack, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, relataram mudanças claras nos padrões de salinidade dos oceanos entre 1950 e 2000.

Os oceanos cobrem 71% da superfície do planeta e armazenam 97% da água mundial e são, portanto, a principal fonte de umidade na atmosfera através da evaporação.

O ciclo global de precipitação e evaporação da água da terra e da superfície do oceano compreende o ciclo global da água, com algumas áreas como os trópicos sendo naturalmente mais úmidas, e outras, como grandes partes da Austrália, dos Estados Unidos e do norte da África, mais secas.

Algumas regiões oceânicas são mais salgadas, significando menos chuvas, e outras mais doces, significando alta precipitação, tornando as medições de salinidade uma boa forma de medir as mudanças nos padrões de chuvas.

Durack e equipe, em um estudo publicado no jornal Science, descobriram que o ciclo da água se intensificou 4% de 1950-2000, duas vezes mais do que o projetado por modelos climáticos.

“Essas mudanças sugerem que as regiões áridas se tornaram mais secas e regiões com alta precipitação se tornaram mais úmidas em resposta ao aquecimento global observado”, disse Durack em uma declaração.

Cientistas entenderam há muito tempo a ligação entre a evaporação e as chuvas e os níveis de salinidade da superfície dos oceanos, mas têm lutado para quantificar apropriadamente essa relação.

FAZENDO A LIGAÇÃO

Durack e seu grupo combinaram dados de salinidade de 1950-2000 e a relação entre a salinidade, a precipitação e a evaporação em modelos climáticos para descobrir que, para cada grau Celsius de aquecimento na superfície da Terra, o ciclo de água se intensifica em 8%.

Os dados de temperatura mostram que o planeta esquentou 0,5 graus Celsius entre 1950-2000. Mas os modelos climáticos sugerem que o mundo está a caminho de esquentar três graus Celsius até o final do século a menos que o atual aumento nas emissões de gases do efeito estufa seja rapidamente reduzido.

Um aquecimento dessa magnitude significaria que o ciclo da água se intensificaria em até 24%, com as regiões úmidas ficando mais úmidas e as regiões secas, mais secas.

“Isso tem grandes implicações nas regiões secas, como a Austrália, que já são secas”, afirmou Durack em um e-mail à Reuters.

Ele declarou que acredita que o trabalho de sua equipe foi o primeiro a quantificar formalmente a ligação entre o ciclo da água e as mudanças de salinidade.

“Uma vez que desenvolvemos a relação entre a salinidade e as mudanças de evaporação-precipitação nos modelos, pudemos então usar essa relação para expandir nossa estimativa de mudança na salinidade observada para fornecer uma estimativa de mudança inferida na evaporação-precipitação.”

Ele disse que os dados de salinidade oceânica devem agora receber mais atenção como uma verificação sobre o clima mundial, impulsionada pelas medidas de 3,5 mil dispositivos robóticos chamados Argos, implantados nos oceanos e satélites.

Na última década, o sistema de flutuação Argo revolucionou a forma como os cientistas entendem como os oceanos operam, fornecendo uma grande quantidade de dados sobre temperatura, salinidade e outros indicadores.

“É uma época de ouro para a oceanografia porque temos essas novas fontes abundantes de dados do sistema Argo, que estamos sendo capazes de usar para entender melhor os oceanos e como eles estão mudando”, afirmou Durack.

Traduzido por Jéssica Lipinski
Leia o original (inglês)



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