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Eleitores dos EUA são a favor de regulamentação de CO2

30/04/2012   -   Autor: Deborah Zabarenko   -   Fonte: Reuters


Três em cada quatro eleitores dos EUA são a favor de regulamentar o dióxido de carbono como um gás do efeito estufa poluente, e a maioria acredita que o aquecimento global deveria ser uma prioridade para o presidente e o congresso, relatou uma pesquisa de opinião sobre atitudes norte-americanas sobre clima e energia na quinta-feira.

A pesquisa foi lançada um dia depois que a revista Rolling Stone publicou uma entrevista com o presidente Barack Obama na qual ele sugere que as mudanças climáticas se tornariam um tema de campanha neste ano.

Nos resultados, muitas vezes em desacordo com o debate político em Washington, a pesquisa conduzida pelas universidades de Yale e George Mason mostrou que a maioria dos norte-americanos votaria em um candidato que aumentasse as taxas do carvão, petróleo e gás natural – combustíveis fósseis que emitem dióxido de carbono (gás que ajuda a aquecer o clima) quando queimados – ao cortar o imposto de renda, em uma “troca de taxas” com uma receita neutra.

Essa manobra, que não acrescentaria nada às receitas federais mas mudaria sua origem, foi discutida por atores políticos tão díspares quanto o ex-vice-presidente Al Gore, Democrata, e Bob Inglis, ex-congressista Republicano.

Sessenta e um por cento dos norte-americanos entrevistados disseram que estariam mais propensos a votar em um candidato que apoiasse a troca de taxas, enquanto 20% afirmaram que estariam menos propensos.

Em 2010, os Democratas tiveram uma abordagem diferente, colocando uma legislação na Câmara dos Deputados que visava reduzir as emissões de carbono, aumentando o preço dos combustíveis fósseis. Mas o esforço morreu no senado em meio à forte oposição Republicana.

Embora os Democratas sejam frequentemente vistos como sendo “mais verdes” do que Republicanos e independentes, a pesquisa descobriu que maiorias consideráveis de todos os três grupos são a favor da troca de taxas e de outras políticas ambientalmente favoráveis, declarou Anthony Leiserowitz, do Projeto de Comunicação sobre Mudanças Climáticas da Yale.

Por exemplo, a pesquisa descobriu que 75% dos respondentes apoiam a regulamentação do dióxido de carbono como um gás do efeito estufa poluente, o que a Suprema Corte decidiu ser legal em 2007 e a Agência de Proteção Ambiental dos EUA tem defendido.

Mas observando o lado político desta questão, 84% dos Democratas, 67% dos Republicanos e 77% dos independentes são a favor dessa regulamentação.

UMA LACUNA ENTRE OS ELEITORES E O CONGRESSO

Embora haja uma grande lacuna entre os eleitores Republicanos e os Democratas, os Republicanos ainda são a favor dessa mudança por uma sólida maioria de dois terços, enquanto a maioria dos congressistas Republicanos se opôs a ela, disse Leiserowitz.

“Você realmente tem que fazer uma distinção entre os membros do congresso e o público em geral... Os dois partidos se tornam agora cada vez mais puros ideologicamente... e isso não é verdade entre o público em geral”, afirmou ele em uma entrevista por telefone.

A pesquisa nacional representativa com 1.008 adultos dos EUA, com uma margem de erro de mais ou menos 3%, descobriu que 72% dos norte-americanos acreditam que o aquecimento global deveria ter uma prioridade muito alta, alta ou média para o presidente e o congresso. Entre os eleitores registrados, 84% dos Democratas, 68% dos independentes e 52% dos Republicanos concordam com isso.

Uma pesquisa relacionada lançada na quarta-feira pelo Instituto da Sociedade Civil descobriu que 76% dos norte-americanos acreditam que os Estados Unidos deveriam caminhar para um futuro de energia sustentável, reduzindo a dependência na energia nuclear, no gás natural e no carvão e estimulando as energias renováveis e a eficiência energética.

Obama, que fez campanha para a Casa Branca em 2008 com um candidato ambientalista comprometido com o controle das mudanças climáticas, pareceu estar em sincronia com os resultados dessas pesquisas em seus comentários à Rolling Stone.

“Suspeito que nos próximos seis meses, isso [as mudanças climáticas] vai ser um debate que se tornará parte da campanha, e serei muito claro em expressar minha crença de que vamos ter que dar passos maiores para lidar com as mudanças climáticas de uma forma séria”, declarou Obama.

Mitt Romney, candidato Republicano à presidência, mudou sua visão durante sua campanha de que as atividades humanas causam as mudanças climáticas. Seu website não lista o meio ambiente ou as mudanças climáticas como uma de suas questões, mas critica a política energética de Obama como “incoerente”.

“O Plano de Mitt”, diz o site, “faria todos os esforços para salvaguardar o meio ambiente” ao mesmo tempo em que protegeria os empregos dos EUA. Romney também planeja alterar a Lei do Ar Limpo para excluir o dióxido de carbono como um poluente que poderia ser regulamentado.

Obama reconhece que é desafiador fazer os norte-americanos se focarem nas mudanças climáticas quando suas principais prioridades nos últimos três anos foram empregos, habitação e preços da gasolina.

Karlyn Bowman, que acompanha a opinião pública no Instituto Empresarial Americano, confirmou essa impressão. Bowman observou que pesquisas sobre as prioridades dos EUA classificam a economia muito acima tanto da energia quanto das mudanças climáticas.

Traduzido por Jéssica Lipinski
Leia o original (inglês)



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