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Sem ligação entre mercados australiano e californiano em futuro próximo, dizem analistas

03/09/2012     -   Fonte: Reuters


Depois de anunciar nesta semana que ligará seu futuro mercado de carbono à União Europeia, a Austrália pode se voltar para a Califórnia como potencial parceira do comércio de emissões, mas o estado noste-americano pode estar menos ansioso para firmar uma ligação transcontinental, disseram analistas.

Na terça-feira (28), a Austrália anunciou que ligará seu esquema de comércio de emissões ao da Europa em 2015, uma atitude considerada a primeira união de grandes mercados de emissões.

O ministro de mudanças climáticas do país, Greg Combet, afirmou a repórteres que a Austrália também vai buscar ligações com a Califórnia, Coreia do Sul e Nova Zelândia, que estão desenvolvendo seus próprios mercados de carbono.

Representantes da Califórnia têm planos de viajar para a Austrália em outubro para discutir potenciais ligações de mercado com os australianos, declararam fontes, mas alguns analistas e membros do estado da Califórnia disseram que uma aliança entre os dois sistemas cap-and-trade levaria um bom tempo.

A relutância da Califórnia em aceitar créditos de projetos de compensação de carbono da ONU, como evidenciado nas regras do mercado de carbono do estado, sinaliza que os reguladores provavelmente serão cautelosos quando se tratar de acordos de ligação com parceiros internacionais.

“A oposição às RCEs (Reduções Certificadas de Emissão, ou créditos da ONU) e a abordagem ‘apenas o meu quintal’ de créditos evitará qualquer ligação significativa com o EU ETS ou a Austrália em um futuro próximo”, afirmou Emilie Mazzacurati, diretora de análise do mercado de carbono da Thomson Reuters Point Carbon.

Ela declarou que o estado já adiou a formalização do que seria uma ligação mais fácil com a província de Quebec, que é um membro da parceria do mercado de carbono norte-americano e da Iniciativa Climática do Oeste (WCI) com a Califórnia.

Os reguladores do estado adiaram uma votação prevista para aprovar regulamentações ligando os dois mercados no final de junho, depois que o governador assinou uma lei requisitando a revisão de qualquer plano para vincular o sistema de comércio de carbono da Califórnia a programas similares em outros estados ou províncias.

Espera-se que o estado retome as negociações de ligação com Quebec na primeira metade de 2013, declarou um porta-voz do Conselho de Recursos do Ar da Califórnia (ARB).

“Acho que é muito improvável que a Califórnia se ligue com qualquer um fora do WCI nos próximos anos”, disse Mazzacurati.

O porta-voz do ARB concordou e afirmou que por enquanto a Califórnia está unicamente focada em deixar seu próprio sistema pronto e em funcionamento.

Quando a Austrália lançar seu próprio esquema de comércio de emissões em 1º de julho de 2015, suas emissores poderão usar as Permissões da UE (EUAs) para chegar a metade de suas metas de emissões de carbono, e a abertura do esquema australiano a compradores da UE deve ocorrer três anos depois.

A ligação, assim como a decisão de reduzir o preço mínimo de AU$ 15 das permissões de carbono e banir os créditos emitidos pela ONU, foram pensadas para tornar mais barato para as companhias australianas atingirem suas metas, declararam analistas.

Grupos ambientalistas disseram que colocariam pressão na UE, que está sofrendo com recordes de preços baixos em meio a um excedente estimado em um bilhão de unidades, para acelerar os planos de reformar seu mercado, cortando permanentemente o fornecimento.

Os desenvolvedores de políticas da UE estão criando planos para retirar permissões dos primeiros três anos da fase três, em uma tentativa de manter os preços das EUAs, que caíram pela metade nos últimos 18 meses por causa do excesso de oferta e da demanda decrescente devido ao pequeno crescimento econômico.

As EUA fecharam em 8,07 euros (US$10) na sexta-feira.

Enquanto isso, as permissões de carbono da Califórnia (CCAs) para entrega em 2013 terminaram a quinta-feira em US$ 16,30 por tonelada. Os preços devem aumentar significativamente depois que o primeiro leilão de permissão de carbono ocorrer, em novembro.

Mazzacurati afirmou que a Califórnia pode considerar um ligação com a Austrália e a UE em um futuro mais distante, quando tanto os preços da EU quanto os australianos se estabilizarem.

“Com o tempo, posso ver a Califórnia estabelecendo uma ligação parcial com a Austrália e/ou o EU ETS, e ela pode aceitar uma quantidade limitada de permissões desses mercados para o cumprimento na Califórnia”, declarou ela.

“Isso reduziria os preços e ajudaria com a liquidez do mercado da Califórnia.”

Outros concordam que uma ligação UE-Austrália pode ser um bom exemplo para a Califórnia e outros.

“Uma cooperação como essa expande a gama de oportunidades possíveis de redução de emissões para ambas as partes, e poderia reforçar as perspectivas de outros para seguir esse exemplo”, disse Dirk Forrister, presidente e CEO da Associação Internacional de Comércio de Emissões.

“Estaremos observando de perto o processo entre o EU ETS e a Austrália e oferecendo suporte para o ARB nesse processo de ligação com outros mercados de carbono”, afirmou ele.

Traduzido por Jéssica Lipinski
Leia o original (inglês)



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