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Esquema de carbono australiano pode encarar colapso nos preços

07/05/2012   -   Autor: Fernanda B. Müller   -   Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais


Novas análises da Bloomberg New Energy Finance, obtidas pelo jornal The Australian, mostram que devido à forte conexão do esquema de comércio de emissões da Austrália com o mercado internacional, os preços australianos podem entrar em colapso após a remoção do piso para o carbono em 2018.

A previsão da consultoria é que o valor do carbono chegue a A$ 4 em 2020, enquanto o preço necessário para incentivar a troca do carvão por gás na geração de energia seria de A$ 35. Isto se o piso não for estendido e se o esquema australiano continuar aceitando que até metade das cotas de emissão das instalações sejam atendidas com créditos internacionais.

O esquema australiano entra em vigor em julho deste ano, iniciando com um preço fixo de A$ 23 por tonelada de dióxido de carbono emitido até 2015. Então, em julho de 2015, começará uma fase onde as emissões do país serão controladas através de um esquema de 'cap-and-trade', com a previsão de um piso para a tonelada de CO2e de A$ 15, subindo 4% ao ano até 2018, quando o piso é eliminado.

O relatório da BNEF foi divulgado em um momento delicado para a primeira-ministra trabalhista Julia Gillard, que apresenta uma popularidade baixa nas pesquisas de opinião e sofre grande pressão para suavizar a taxa sobre o carbono, com os oponentes usando os baixos preços da Europa (em torno de €7 ou A$ 9) como motivação.

Gillard pretende amenizar o descontentamento da população ao redistribuir parte da renda obtida com outra taxa, esta sobre o setor de mineração, que também entra em vigor em julho. "O esquema foi desenhado abrangendo assistência para as famílias, e as pessoas verão este fluxo já nas próximas semanas", anunciou a primeira-ministra na tentativa de acalmar os ânimos.

O governo minoritário de Gillard enfrenta duras batalhas no legislativo, dependendo do apoio do Partido Verde e de parlamentares independentes, além de ter que lidar com denúncias de escândalos sexuais entre seus apoiadores.

Os próprios trabalhistas estão em dúvida quanto aos impactos da taxa do carbono sobre o custo de vida dos australianos e alguns creditam a esta polêmica a queda na popularidade de Gillard.

Porém, Christine Milne, chefe do Partido Verde, disse que não haverá renegociação da taxa e que as medidas de compensação foram planejadas visando cobrir os custos mais altos para as residências.

"Não há duvidas de que é uma política complicada, mas acredito que é uma reforma importante para o futuro", completou Penny Wong, ministra de Finanças.

A administração trabalhista contrapõe as análises da BNEF. "O governo elaborou o preço para o carbono de forma cautelosa, visando garantir que direcione investimentos para energias limpas da maneira mais eficiente economicamente", comentou Greg Combet, porta-voz do ministro de Mudanças Climáticas.

Na sexta-feira, os nomes de 248 instalações que enfrentarão a taxa de A$ 23/t CO2e a partir de julho foram publicados online. Entre elas estão as mineradoras BHP Billiton e Rio Tinto, a cidade de Brisbane, Universidade de La Trobe e a produtora de etanol Shoalhaven Starches.



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