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Novo mapa das zonas de plantio dos EUA revela tendências de mudanças climáticas

26/01/2012   -   Autor: Jéssica Lipinski   -   Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais


Nos Estados Unidos, os adeptos da jardinagem estão percebendo que suas plantas já não crescem tão bem nas regiões que antes eram indicadas para elas. A explicação pode estar no novo Mapa da Zona de Plantio, que revela que muitas zonas do país estão apresentando médias de temperaturas mínimas mais quentes do que no passado, o que influi no crescimento dos vegetais. E muitos especialistas e praticantes de jardinagem acreditam que essa elevação da temperatura tem uma causa: as mudanças climáticas.

A nova versão do mapa, desenvolvida conjuntamente pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), pelo Serviço de Pesquisa Agrícola (ARS) e pelo Grupo Climático PRISM da Universidade Estadual do Oregon (OSU), analisou 30 anos de dados climáticos, de 1976 a 2005, contra as informações de 1974 a 1986 consideradas pela última versão, de 1990.

O novo mapa contém 13 faixas climáticas, cada uma dividida em zona A e B. Essas faixas correspondem às médias de temperaturas mínimas de cada região, e compreendem temperaturas dos -51,1ºC aos 21,1ºC. Em relação à última versão, foram acrescentadas mais duas faixas de temperaturas mais elevadas, a 12 (de 10ºC a 15,5ºC) e a 13 (de 15,5ºC a 21,1ºC), sugerindo que as temperaturas mínimas estão ficando mais quentes.

“Esse é o Mapa de Zona de Plantio mais sofisticado dos Estados Unidos. O aumento na precisão e detalhes que esse mapa representa será extremamente útil para praticantes de jardinagem e pesquisadores”, comentou Catherine Woteki, sub-secretária da USDA para pesquisa, educação e economia.

Como pode ser verificado no mapa, a temperatura mínima de diversas áreas se tornou mais elevada. Mais da metade da região norte está mais quente. A Pensilvânia, por exemplo, que era dividida igualmente entre as zonas 5 (de -28,9ºC a -23,3ºC) e 6 (-23,3ºC a -17,8ºC) no mapa de 1990, está agora 70% na zona 6 e 30% na zona 5.

O Nebraska, que ficava majoritariamente na zona 4 (-34ºC a -28,9ºC), está agora quase totalmente na zona 5. Ohio, que ficava quase todo na zona 5, está agora em grande parte na zona 6, e tanto o sul da Flórida quanto o sul da Califórnia apresentam novas áreas mais quentes ao redor das cidades. Apenas uma minoria das regiões, como as montanhas da Califórnia, apresentou temperaturas mínimas mais frias.

Mas apesar do aquecimento registrado, a USDA declarou que não se pode afirmar que o país está necessariamente enfrentando mudanças climáticas, pois os dados não são suficientes para concluir essa questão. “Não achamos que a metodologia de zona de plantio é apropriada para fazer comentários sobre as mudanças climáticas”, opinou Woteki.

“As mudanças climáticas geralmente são baseadas em tendências na média geral de temperaturas registradas entre 50 a 100 anos. Como [o novo mapa] representa médias de 30 anos do que são essencialmente eventos climáticos extremos [as temperaturas mais frias do ano], as mudanças nas zonas não são evidência confiável de que tem havido aquecimento global”, disse a USDA em seu site.

No entanto, muitos especialistas e adeptos da jardinagem acreditam que a elevação da temperatura é sim um indício de que pode estar ocorrendo um aquecimento global.

“Se você quiser ver isso como uma coisa mais politicamente correta, você pode dizer que algo está acontecendo. Mas o clima está mudando. A primavera está chegando antes e durando mais. O outono dura mais, e no geral o clima está muito mais irregular agora. Definitivamente há mudanças climáticas”, observou Charlie Nardozzi, consultor de jardinagem.

Para muitos ‘jardineiros’, as mudanças climáticas não são uma notícia nova, e eles já estavam percebendo a influência de um clima mais quente em suas plantas.

“É uma coisa boa que o governo tenha atualizado o mapa. Nossos membros têm noticiado essas mudanças climáticas por anos e têm plantado com sucesso novos tipos de árvores em lugares que elas não cresceriam antes”, declarou Woodrow Nelson, diretor de comunicação e marketing da Fundação Arbor Day, organização que estimula o plantio de árvores.

Além dos dados atualizados e mais detalhados, o novo mapa oferece uma tecnologia mais interativa. A versão online permite que os interessados confiram a média de temperaturas mínimas exata de sua região através do fornecimento do código postal, e as zonas podem ser verificadas em segmentos de cerca de 800 metros.

“Acho que o mapa levará pessoas a experimentar muitas plantas que elas não experimentariam de outra forma. Viveiros poderão ter estoques diferentes”, concluiu Steve Carroll, diretor de programas públicos do State Arboretum of Virginia, viveiro de plantas da Universidade de Virgínia.


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