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Polêmica Nuclear A energia nuclear é uma das opções energéticas mais polêmicas e sobre a qual, na opinião de alguns especialistas, há muito mais paixão do que informação. De um lado, alguns defendem seu uso por considerá-la uma fonte com baixo impacto ao aquecimento global, do outro lado estão aqueles que são totalmente contra, argumentando que o risco que se corre de contaminação radioativa ainda é muito grande. No meio do caminho, estão os que defendem uma matriz energética diversificada, que possa incluir esta opção, como o professor Jen-Shin Chang, da Universidade canadense McMaster, e o físico Anselmo Salles Paschoa, que possui mais de 30 anos de experiência com energia nuclear. Especialista em energias e tecnologias de controle de poluição, o professor aposentado se dedica a viajar pelo mundo colaborando com pesquisas em universidades nas áreas energéticas e de tratamento de poluição sólida, líquida e eliminação de gases. Chang diz que o desafio na área energética é encontrar um sistema balanceado. “Nenhuma energia é o ‘super-homem´. Definitivamente precisamos de energias renováveis e dos combustíveis fósseis, incluindo o biocombustível e a energia nuclear. Nós chamamos isso de ´o novo sistema de pesquisa´: encontrar a melhor maneira de cortar CO2 através da combinação de todos estes tipos de energia”, afirma Chang. Pontos a favor Para o professor Chang, a energia nuclear é a melhor opção para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2), porém ressalta que o problema ainda é o lixo gerado. “Devemos avançar nesta área e é isso que todo mundo está fazendo – pesquisando o tratamento do lixo nuclear”, diz. A conclusão de que a fonte nuclear possui o menor índice de emissão de CO2 foi realizada após o cálculo de emissões totais produzidas por cada fonte de energia no seu ciclo de vida (que inclui a fabricação e descarte após a desativação). Fazendo o cálculo com cada fonte, o resultado pode ser surpreendente. Um exemplo é a energia eólica, com muito potencial para o território brasileiro e vista como uma excelente opção de fonte limpa. Com base nos cálculos, observa-se que ela gera um grande volume de emissões, uma vez que a vida útil de cada hélice é curta (em torno de 20 anos) e possui difícil descarte. O físico Anselmo Salles Paschoa, que possui mais de 30 anos de experiência com energia nuclear e foi consultor, em diversas ocasiões, da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), defende que países do porte do Brasil, como a China e a Índia, devem explorar todo o potencial energético, diversificando o uso das fontes e não excluindo nenhuma. O percentual na matriz energética brasileira será pouco alterado com Angra 3, podendo passar dos cerca de 2,5% a 3% atuais para 4%, explica Paschoa. “No Nordeste é inevitável o uso de energia solar e eólica. É preciso usar o potencial energético de maneira inteligente”, afirma. O país tem competência técnica para utilizar a energia nuclear, segundo Paschoa, com tecnologia adequada para construir e gerenciar repositórios definitivos para resíduos radioativos. “O Brasil tem muitas possibilidades. A França escolheu o armazenamento geológico, a Alemanha, o depósito em minas de sal. Temos muitos estudos geológicos que mostram onde poderia ser depositado no nosso território”, afirma o físico, que hoje é consultor especial do Laboratório da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e membro da Comissão Nuclear da Sociedade Brasileira de Física. “Todas as energias têm seus prós e contras, mas enfatizo que um país do porte do Brasil não pode se dar o luxo de não utilizar diferentes potenciais”, conclui. Pontos contra Ambientalistas e organizações não governamentais como o Greenpeace deixam claro a posição contrária a tal fonte energética. "A energia nuclear é cara e perigosa porque é obtida a partir de reatores que produzem resíduos letais", disse o coordenador da Campanha Clima do Greenpeace Brasil, Luis Piva, sobre os argumentos de alguns presidentes a favor de usinas nucleares durante a reunião do G8, no Japão. "O Greenpeace defende uma revolução energética baseada em energias renováveis e eficiência energética para combater as mudanças climáticas e garantir a segurança energética", afirma. Fatos como os testes com mísseis nucleares promovidos pelo Irã e os vazamentos em usinas na França são algumas evidências dos riscos que esta fonte energética traz. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, diz que o país pretende diversificar a matriz energética e argumenta que o uso da tecnologia nuclear para fins pacíficos é um direito do povo iraniano. Para o físico e professor da Universidade de São Paulo (USP) José Goldemberg, a retomada do programa nuclear brasileiro “não faz sentido” diante das alternativas possíveis para suprir a demanda energética do país, como a utilização do potencial eólico e o fomento à produção de eletricidade a partir da cana-de-açúcar. “Na grande maioria dos países que adotaram a energia nuclear, foi uma solução de desespero; é a última solução”, opina. O professor da USP critica ainda o custo de Angra 3, segundo a Agência Brasil. Em palestra durante a 60° Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Goldemberg disse que o megawatt-hora deverá custar R$ 170, quase 2,5 vezes mais que o valor licitado recentemente para a Usina Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO), de cerca de R$ 70 o megawatt-hora. Paula Scheidt, atualizado em outubro de 2008 Copyright © CarbonoBrasil - Os direitos são reservados, porém é livre a reprodução para instituições
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